O Open Finance brasileiro fez cinco anos em fevereiro de 2026 e passou da fase da promessa para a fase do produto. Não é mais um projeto regulatório abstrato: são mais de 100 milhões de clientes conectados e 154 milhões de consentimentos ativos. Para quem cobra, o pedaço que interessa tem nome — iniciação de pagamento — e ele finalmente ganhou tração.
O que é iniciação de pagamento (ITP)
O Iniciador de Transação de Pagamento é uma categoria autorizada pelo Banco Central: uma empresa que pode iniciar um Pix em nome do cliente sem redirecioná-lo ao app do banco. Em vez de mandar o comprador para outro aplicativo, confirmar e voltar (torcendo para ele voltar), o pagamento acontece dentro do seu próprio fluxo, com consentimento granular — valor, destinatário e prazo — revogável a qualquer momento.
A dor que isso ataca é velha e cara: o redirecionamento é onde o checkout perde gente. Cada salto para fora é uma chance de abandono.
A tração de 2025
Os números mostram a virada. A iniciação de pagamento via Open Finance movimentou R$ 15,3 bilhões em 2025, contra R$ 3,2 bilhões em 2024 — cerca de cinco vezes mais. Em número de operações, o salto foi de 7,4 milhões para 64,5 milhões, quase nove vezes. Só o último trimestre de 2025 concentrou R$ 7 bilhões, sinal de aceleração, não de acomodação.
O marco de 2026: jornada sem redirecionamento para empresas
A novidade que muda o jogo para B2B é a jornada sem redirecionamento (JSR) para pessoa jurídica, que se torna obrigatória a partir de fevereiro de 2026. Ela permite aprovar um pagamento dentro do próprio ERP ou checkout, sem o usuário sair para o app do banco. Para cobrança entre empresas, é a diferença entre um fluxo que trava no aprovador financeiro e um que resolve na mesma tela.
O que vem no roadmap do Banco Central
- Portabilidade de crédito 100% digital: lançada em fevereiro de 2026, começando pelo crédito pessoal sem garantia, com prazo caindo de até 5 para até 3 dias úteis.
- Cartões no Open Finance: permitir que o iniciador capte dados do cartão direto no emissor, sem o cliente digitar número e CVV.
- Foco em PJ e PMEs: elevar a adesão de empresas, hoje o principal gargalo de expansão do ecossistema.
Como isso se conecta ao resto da sua cobrança
Iniciação de pagamento não substitui Pix, cartão ou boleto — soma. Ela é mais uma forma de o dinheiro chegar, com menos fricção em casos específicos. O valor aparece quando ela vive na mesma camada dos outros meios, com a mesma conciliação e a mesma agenda de recebíveis. Ter um iniciador solto, desconectado do resto, só troca um silo por outro.
É por isso que faz sentido tratar Open Finance como parte da infraestrutura de pagamentos, e não como integração avulsa. O objetivo final é sempre o mesmo: uma camada única onde Pix, cartão, boleto e iniciação convivem — e onde cada nova jornada do Banco Central entra sem virar mais um projeto.
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